Uma das muitas lembranças de infância era a leitura, em tom quase de contravenção, dos velhos exemplares (na época nem tão velhos) do Pasquim. Era aquele semanário saudoso, verdadeira trincheira gráfica na luta contra a ditadura, que revelou ou consagrou grandes nomes do jornalismo e do cartum brasileiros: Henfil, Ziraldo, Millôr, Fausto Wolff, Paulo Francis, Tarso de Castro, Ivan Lessa, Sérgio Cabral, entre tanta gente boa. Todos geniais, se juntaram justamente após o falecimento de outro gênio, Stanislau Ponte Preta, também conhecido como Sérgio Porto.
Essa gente toda aí acabou indo fazer seu "across the Universe", fazendo uma baita falta entre nós. Pois faltava o Jaguar pra trupe aí do além... Jaguar, com seu traço característico, criador de personagens como o rato Sig, verdadeira personificação do Pasca, que aparecia nas capas e até em publicidades do jornal, deixam uma pequena legião de gente saudosa desse humor ácido, que chuta o traseiro do ditador, como falou Fernando Brant. O Rato que Ruge incomodava a ditadura, se fazia gigante e dava o recado.
Era criança e, em meio ao olhar, por vezes apavorado, de meus pais com essa leitura "não adequada" pra idade, oh, tem nudez, tem palavrão, ia me construindo politicamente. Aprendendo que havia uma ditadura, sim, matando gente e fazendo outros acreditar que a única saída pro país era o Aeroporto. Descobrindo que os militares explodiam bancas com Pasca, botando a culpa nos "comunistas". Ia vendo a cara da cara do Brasil, em meio a surreais antas de tênis, um vomitador e os impagáveis fradinhos do Henfil, mais geniais entrevistas da Leila Diniz, Tim Maia, Chico Buarque, Luiz Carlos Prestes, Lula, Gabeira (no tempo da tanguinha de crochê), Brizola...bons tempos em que figuras geniais eram abundantes!! Na redação e nas entrevistas, por supuesto!!
Jaguar, presente!!!
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